O Brasil poderá enfrentar um cenário climático preocupante nos próximos meses. As projeções para o Super El Niño de 2026 indicam a possibilidade de temperaturas excepcionalmente elevadas, alterações no regime de chuvas e aumento dos riscos associados ao calor extremo.
Um estudo do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, estima que o fenômeno poderá estar associado a aproximadamente 26,7 mil mortes adicionais no Brasil entre junho de 2026 e março de 2027. Em escala global, a estimativa chega a 857,4 mil mortes adicionais no mesmo intervalo.
Os números chamam a atenção para um problema que vai além do desconforto térmico: a exposição prolongada a temperaturas elevadas representa um risco importante para a saúde pública.
Super El Niño de 2026 pode entrar para a história
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. Essa alteração influencia a circulação atmosférica e modifica os padrões de temperatura e precipitação em diferentes regiões do planeta.
Para 2026, as projeções indicam um episódio potencialmente muito intenso, com expectativa de atingir seu pico entre novembro e dezembro.
Estimativas meteorológicas apontam para um aquecimento expressivo da região Niño 3.4, área utilizada internacionalmente para monitorar a intensidade do fenômeno.
Caso as projeções se confirmem, o episódio poderá figurar entre os mais intensos já observados.
Brasil pode enfrentar diferentes extremos climáticos
Os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território brasileiro. Dependendo da região, o fenômeno pode favorecer condições climáticas bastante distintas.
Entre os principais riscos estão:
- Região Sul: aumento da frequência de chuvas intensas, temporais e possibilidade de enchentes.
- Norte: períodos de estiagem, temperaturas elevadas e maior vulnerabilidade a queimadas.
- Nordeste: possibilidade de redução das chuvas em determinadas áreas, agravando a seca.
- Sudeste: temperaturas elevadas e alterações na distribuição das precipitações.
- Centro-Oeste: calor intenso, períodos secos e condições favoráveis à ocorrência de incêndios.
É importante destacar que esses efeitos representam tendências climáticas regionais, e não previsões de que todas essas situações ocorrerão necessariamente.
Calor extremo pode aumentar a mortalidade
Um dos aspectos mais preocupantes do estudo é a estimativa de mortes adicionais relacionadas ao calor.
O organismo humano precisa manter sua temperatura interna dentro de limites adequados para funcionar corretamente. Quando a exposição ao calor é intensa e prolongada, o corpo pode ter dificuldades para dissipar o excesso de temperatura.
Entre os problemas associados estão desidratação, exaustão térmica, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias.
Idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos que merecem atenção especial.
As estimativas do Climate Impact Lab representam projeções estatísticas, e não uma contagem de mortes confirmadas ou uma previsão inevitável de vítimas.
Quais países podem registrar os maiores impactos?
A projeção global do estudo aponta para centenas de milhares de mortes adicionais relacionadas ao calor.
Entre os países com maiores estimativas estão:
- Índia: aproximadamente 160 mil mortes adicionais.
- China: aproximadamente 85,4 mil.
- Nigéria: aproximadamente 69,7 mil.
- Sudão: aproximadamente 53,2 mil.
- Indonésia: aproximadamente 49,5 mil.
- Brasil: aproximadamente 26,7 mil.
Os números reforçam que os impactos das temperaturas extremas representam um desafio internacional, especialmente em regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica e menor capacidade de adaptação.
Como se proteger durante períodos de calor intenso?
Mesmo sem a confirmação de todos os impactos previstos, algumas medidas ajudam a reduzir os riscos durante ondas de calor:
- Manter uma boa hidratação ao longo do dia.
- Evitar atividades físicas intensas nos horários de maior temperatura.
- Utilizar roupas leves e procurar ambientes ventilados.
- Evitar exposição prolongada ao sol.
- Redobrar os cuidados com idosos e crianças.
- Procurar atendimento médico diante de sintomas como confusão mental, desmaios ou sinais de superaquecimento.
O fenômeno também reforça os desafios das mudanças climáticas
O Super El Niño é um fenômeno natural, mas seus efeitos acontecem em um planeta que já apresenta temperaturas médias mais elevadas em razão das mudanças climáticas.
Essa combinação pode intensificar os riscos associados a eventos extremos, tornando o planejamento urbano, a prevenção de desastres e a preparação dos sistemas de saúde cada vez mais importantes.
Embora as projeções ainda estejam sujeitas a revisões, uma questão já merece atenção: preparar a população para enfrentar períodos de calor extremo deixou de ser apenas uma preocupação ambiental e passou a ser também uma questão de saúde pública.
O monitoramento meteorológico e a adoção de medidas preventivas serão fundamentais para reduzir os riscos nos próximos meses.
Nota editorial: as projeções de mortalidade são estimativas do estudo e não devem ser interpretadas como consequências comprovadas ou inevitáveis do episódio climático.





