O diabetes mellitus é uma das doenças crônicas mais comuns do Brasil e do mundo e também uma das mais silenciosas. Segundo o IBGE, ao menos 20 milhões de brasileiros convivem com a condição. Muitos deles não sabem que têm a doença porque os sintomas de diabetes podem aparecer de forma tão discreta que passam despercebidos por meses ou até anos.
Conhecer os sinais é o primeiro passo para um diagnóstico precoce e um diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença na qualidade de vida. Neste artigo, explicamos o que você precisa saber: quais são os sintomas, o que o corpo sente, como a urina muda, por que quem tem diabetes tem mais candidíase e quais dores a doença pode causar.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Se você apresentar algum dos sintomas descritos, procure um médico ou endocrinologista para avaliação e diagnóstico adequados.
O que é o diabetes?
O diabetes mellitus é uma doença crônica que ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la de forma adequada. A insulina é o hormônio produzido pelo pâncreas responsável por transportar a glicose do sangue para as células, onde ela se transforma em energia.
Quando esse processo falha, a glicose se acumula na corrente sanguínea ,condição chamada de hiperglicemia. Com o tempo, esse excesso de açúcar no sangue danifica vasos sanguíneos e nervos em todo o corpo, gerando complicações que afetam rins, coração, olhos, pés e sistema nervoso.
Quais são os 4 tipos de diabetes?
Embora haja variações, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reconhece quatro classificações principais:
Diabetes tipo 1
Ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca e destrói as células do pâncreas que produzem insulina. É uma doença autoimune que acomete entre 5% e 10% dos casos, surgindo principalmente em crianças, adolescentes e adultos jovens. Quem tem diabetes tipo 1 precisa aplicar insulina diariamente para sobreviver, não há outra forma de suprir a deficiência.
Diabetes tipo 2
É o tipo mais comum, responsável por cerca de 90% dos casos. O pâncreas até produz insulina, mas as células do organismo se tornam resistentes a ela , fenômeno chamado de resistência à insulina. Está fortemente associado ao sedentarismo, à má alimentação, ao sobrepeso e à predisposição genética. Evolui de forma lenta e silenciosa, sendo frequentemente diagnosticado apenas quando já causou danos significativos.
Diabetes gestacional
Surge durante a gravidez, quando os hormônios da placenta interferem na ação da insulina. Costuma desaparecer após o parto, mas requer acompanhamento cuidadoso porque aumenta o risco de a mãe desenvolver diabetes tipo 2 no futuro e pode trazer complicações para o bebê.
Pré-diabetes
Não é diabetes propriamente dito, mas um sinal de alerta importante. Os níveis de glicose estão acima do normal, mas ainda não caracterizam a doença. Com mudanças no estilo de vida , alimentação equilibrada, atividade física regular e perda de peso quando necessário , a progressão para o diabetes tipo 2 pode ser evitada ou adiada significativamente.

Quais são os 7 principais sinais de diabetes?
Os sintomas de diabetes podem variar conforme o tipo e o estágio da doença, mas há um conjunto de sinais clássicos que merecem atenção. Quando aparecem juntos, são especialmente indicativos de que algo está errado com a glicemia:
1. Sede excessiva (polidipsia) A sensação de sede intensa e constante é um dos sinais mais característicos. Quando os rins trabalham para eliminar o excesso de glicose pela urina, o corpo perde muita água , gerando desidratação e sede persistente que não passa mesmo bebendo bastante líquido.
2. Urinar com frequência (poliúria) O aumento da produção de urina acontece porque os rins tentam filtrar e eliminar o excesso de glicose do sangue. Acordar várias vezes durante a noite para ir ao banheiro (noctúria) é um sinal de alerta importante.
3. Fome excessiva (polifagia) Mesmo comendo, a pessoa sente fome constante. Isso acontece porque, sem insulina funcionando adequadamente, as células não conseguem absorver a glicose e ficam “com fome” de energia, mesmo com o açúcar abundante no sangue.
4. Cansaço e fadiga persistentes A falta de energia é uma consequência direta da incapacidade das células de usar a glicose. A pessoa sente um cansaço que não passa com o descanso, acompanhado de dificuldade de concentração.
5. Perda de peso inexplicada Especialmente no diabetes tipo 1, a perda de peso pode ocorrer rapidamente mesmo sem dieta ou aumento de exercícios. Sem insulina para usar a glicose, o organismo passa a queimar músculo e gordura como fonte de energia alternativa.
6. Visão turva ou embaçada O excesso de glicose afeta o cristalino do olho, alterando sua capacidade de foco. A visão pode ficar embaçada ou turva, especialmente nas fases iniciais da doença.
7. Feridas que demoram a cicatrizar e infecções frequentes O diabetes compromete a circulação sanguínea e a resposta imunológica, fazendo com que cortes, arranhões e feridas demorem muito mais tempo para fechar. Infecções recorrentes de pele, urina e região genital também são sinais de alerta.
Qual é o primeiro sinal da diabetes?
Na maioria dos casos de diabetes tipo 2, os primeiros sinais são sutis e de fácil confusão com situações cotidianas: uma sede que parece ser do calor, idas mais frequentes ao banheiro que são atribuídas a beber mais água, um cansaço interpretado como estresse.
No diabetes tipo 1, os sintomas costumam surgir de forma mais abrupta e intensa , sede intensa, perda de peso rápida, cansaço extremo e urinação frequente podem aparecer em dias ou semanas.
O sinal mais precoce e frequentemente ignorado, especialmente no tipo 2, é a fadiga persistente sem causa aparente combinada com sede acima do habitual. Quando esses dois sinais aparecem juntos, é prudente realizar um exame de glicemia em jejum.
O que sente no corpo quem tem diabetes?
O diabetes é uma doença sistêmica , afeta o corpo inteiro. Veja o que cada parte do organismo pode sinalizar:
Na boca e hálito A glicemia muito elevada pode produzir um hálito com odor adocicado ou semelhante a frutas envelhecidas — sinal da presença de cetonas, substâncias produzidas quando o corpo queima gordura em vez de glicose. Esse odor característico é especialmente importante no diabetes tipo 1 descompensado.
Na pele Manchas escuras e aveludadas no pescoço, axilas ou virilhas (chamadas de acantose nigricans) são sinais de resistência à insulina, frequentemente associados ao diabetes tipo 2. A pele pode ficar seca, com coceira, e apresentar infecções fúngicas e bacterianas recorrentes.
Nos pés e pernas Formigamento, dormência, queimação ou sensação de agulhadas , especialmente nos pés , são sinais de neuropatia diabética, uma complicação do excesso prolongado de glicose que danifica os nervos periféricos. Nos estágios mais avançados, a pessoa pode perder a sensibilidade nos pés sem perceber feridas.
Nos olhos Visão turva, flashes de luz ou manchas podem indicar retinopatia diabética , dano aos vasos sanguíneos da retina causado pela glicose elevada.
No trato urinário e genital Infecções urinárias de repetição, ardência ao urinar e infecções genitais como candidíase são comuns em quem tem diabetes descompensada.
No sistema cardiovascular O diabetes aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, incluindo infarto e AVC. Em estágios avançados, pode causar pressão alta e alterações no ritmo cardíaco.
Como é a urina de quem tem diabetes?
A urina de quem tem diabetes apresenta características distintas que refletem o esforço do organismo para eliminar o excesso de glicose:
Volume elevado Em situações de descontrole grave, uma pessoa com diabetes pode produzir até 20 litros de urina por dia , comparado a 1 a 3 litros de uma pessoa sem a doença. O corpo está tentando eliminar o excesso de glicose pelos rins, e isso exige muito mais água.
Urina frequente e em maior quantidade A poliúria , urinar muito e com frequência , é uma das marcas mais reconhecíveis do diabetes não controlado. A pessoa vai ao banheiro várias vezes ao dia e ainda acorda à noite para urinar.
Glicose na urina (glicosúria) Em condições normais, os rins reabsorvem toda a glicose filtrada. Quando a glicemia ultrapassa certo limiar (geralmente acima de 180 mg/dL), os rins não conseguem reabsorver tudo e a glicose aparece na urina , fenômeno chamado de glicosúria.
Urina com aspecto ou odor adocicado Historicamente, o diabetes foi identificado justamente pela urina que atraía formigas , daí o nome “mellitus”, do latim, que significa “mel”. Hoje esse sinal é raro de ser observado na prática clínica, mas a presença de glicose na urina pode conferir um leve odor ou aspecto diferente.
Urina turva ou com espuma Pode indicar infecção urinária , muito comum em diabéticos ou, em estágios mais avançados, presença de proteína na urina (proteinúria), sinal de comprometimento dos rins (nefropatia diabética).
Quem tem diabetes tem candidíase?
Sim , e com muito mais frequência do que pessoas sem a doença. A relação entre diabetes e candidíase é direta e bem estabelecida pela medicina.
O fungo Candida albicans, responsável pela candidíase, se alimenta de açúcar. Quando os níveis de glicose no sangue e nos tecidos estão elevados, o ambiente se torna extremamente favorável para sua proliferação.
Além disso, o diabetes compromete o sistema imunológico: os glóbulos brancos responsáveis por combater infecções ficam com sua função reduzida quando há muito açúcar no sangue. Isso torna o organismo menos capaz de controlar o crescimento do fungo.
As formas mais comuns de candidíase associadas ao diabetes incluem:
- Candidíase vaginal (em mulheres): coceira intensa, corrimento esbranquiçado e irritação na região genital , muitas vezes de repetição e resistente a tratamentos convencionais enquanto a glicemia não for controlada
- Candidíase peniana (em homens): coceira, vermelhidão e placas esbranquiçadas na glande
- Candidíase oral (sapinho): placas brancas na boca, língua e garganta, acompanhadas de dor ou desconforto ao engolir
- Candidíase cutânea: infecção nas dobras de pele como axilas, virilha e sob os seios
A recorrência de candidíase , especialmente vaginal , sem explicação aparente pode ser um sinal precoce de diabetes não diagnosticada, especialmente em mulheres. Vale ressaltar que controlar a glicemia é parte fundamental do tratamento das infecções fúngicas em diabéticos: sem isso, os episódios tendem a se repetir.
Quais são as dores que um paciente com diabetes pode sentir?
O diabetes, especialmente quando não controlado por longos períodos, pode causar diferentes tipos de dor. A principal responsável é a neuropatia diabética , dano progressivo aos nervos causado pelo excesso crônico de glicose no sangue.
Dores da neuropatia periférica
É o tipo mais comum. Afeta principalmente os pés e as pernas, mas pode atingir mãos e braços. As sensações incluem:
- Queimação intensa, especialmente à noite
- Formigamento ou sensação de “agulhadas”
- Choques elétricos leves
- Hipersensibilidade ao toque , até o contato com o lençol pode ser doloroso
- Em estágios avançados, perda da sensibilidade protetora (o paciente pode se machucar sem perceber)
Dor nos pés e úlceras
A combinação de neuropatia (perda de sensibilidade) com má circulação (angiopatia diabética) transforma pequenas feridas nos pés em úlceras de difícil cicatrização , o chamado pé diabético. Isso pode evoluir para infecções graves e, em casos extremos, amputação.
Dores musculares e articulares
A neuropatia proximal (ou amiotrofia diabética) afeta os nervos das coxas, quadris, nádegas e pernas, causando dor intensa e fraqueza muscular , mais comum em pessoas idosas com diabetes tipo 2.
Dores de cabeça
Episódios de hipoglicemia (queda brusca de açúcar no sangue) ou hiperglicemia (pico de açúcar) podem provocar dores de cabeça intensas.
Dores abdominais
Quando os nervos que controlam a digestão são afetados (gastroparesia diabética), a pessoa pode sentir dor abdominal, náuseas, sensação de estômago cheio rapidamente e distensão.
Dores dentárias e gengivais
O diabetes aumenta o risco de gengivite e periodontite , inflamações que causam dor, sangramento gengival, mau hálito e, se não tratadas, perda de dentes.
Dores no peito
Em estágios avançados, o comprometimento cardiovascular pode causar dor ou desconforto no peito , sinal de que o coração ou os vasos sanguíneos foram afetados. Pessoas com diabetes têm risco significativamente maior de infarto e AVC.
Como fica uma pessoa com diabetes ao longo do tempo?
O diabetes não controlado altera o corpo de forma progressiva e silenciosa. Com o tempo, as complicações se acumulam:
Visão comprometida: a retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira em adultos. O dano aos vasos da retina progride sem dor, tornando o rastreamento oftalmológico regular essencial para quem tem diabetes.
Rins afetados: a nefropatia diabética pode evoluir para insuficiência renal crônica, exigindo diálise ou transplante.
Coração e circulação: o risco de infarto e AVC é duas a quatro vezes maior em pessoas com diabetes. A aterosclerose ,endurecimento das artérias , progride mais rápido com a glicemia elevada.
Nervos danificados: a neuropatia pode avançar da dor para a perda total de sensibilidade, especialmente nos pés — aumentando o risco de feridas não percebidas, infecções e amputações.
Imunidade reduzida: o organismo fica mais vulnerável a infecções de todo tipo , bacterianas, fúngicas e virais , e a recuperação é mais lenta.
A boa notícia é que esse quadro pode ser prevenido ou retardado com o controle adequado da glicemia, acompanhamento médico regular, alimentação saudável, prática de atividade física e, quando indicado, uso correto dos medicamentos.
Quando procurar um médico?
Procure um médico clínico geral ou endocrinologista se você apresentar:
- Sede intensa e constante sem causa aparente
- Urinação muito frequente, especialmente à noite
- Fome excessiva mesmo após comer
- Cansaço persistente e sem explicação
- Perda de peso rápida sem mudança de dieta
- Visão turva ou embaçada
- Feridas que demoram a cicatrizar
- Infecções recorrentes de pele, urinária ou genital (candidíase)
- Formigamento ou dormência nos pés ou mãos
O diagnóstico do diabetes é feito por exames simples de sangue, como glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) e teste oral de tolerância à glicose (TOTG). Segundo as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes de 2025, o exame deve ser realizado anualmente em adultos com fatores de risco , histórico familiar, sobrepeso, sedentarismo, hipertensão ou colesterol elevado.
Perguntas frequentes sobre sintomas de diabetes
O diabetes pode aparecer sem sintomas?
Sim. O diabetes tipo 2, especialmente, pode se desenvolver por anos sem sintomas perceptíveis , é por isso que é chamado de “doença silenciosa”. Por esse motivo, exames de rastreamento periódicos são fundamentais.
A candidíase recorrente pode ser sinal de diabetes?
Sim. Episódios frequentes de candidíase , especialmente vaginal , sem causa aparente e que não respondem bem ao tratamento convencional, podem indicar glicemia elevada. Vale realizar um exame de glicemia.
Qual é a diferença entre os sintomas do tipo 1 e do tipo 2?
No tipo 1, os sintomas surgem rapidamente, às vezes em dias ou semanas , e costumam ser intensos. No tipo 2, a progressão é lenta e os sintomas são inicialmente sutis, sendo facilmente confundidos com outras condições.
Formigamento nos pés é sempre diabetes?
Não necessariamente , formigamento pode ter várias causas. Mas quando está associado a outros sintomas como sede excessiva, cansaço e feridas de difícil cicatrização, a possibilidade de neuropatia diabética deve ser investigada com o médico.
Diabetes tem cura?
O diabetes tipo 1 não tem cura, requer tratamento com insulina por toda a vida. O tipo 2 pode, em alguns casos, entrar em remissão com mudanças intensivas no estilo de vida (emagrecimento significativo, alimentação e exercício). O diabetes gestacional geralmente desaparece após o parto. A pré-diabetes pode ser revertida com hábitos saudáveis.
Este conteúdo tem caráter informativo e foi elaborado com base em diretrizes médicas atualizadas. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se você apresentar sintomas, procure um médico.
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