A Federação Paulista de Futebol (FPF) deu um passo estratégico rumo à internacionalização do futebol estadual ao expandir o Paulistão para o mercado global. Com o projeto Paulistão na Gringa, a entidade conseguiu levar o campeonato para 102 países e registrar recordes de audiência — inclusive em um dia dominado pelo Super Bowl nos Estados Unidos.
O movimento reforça não apenas a força de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos como marcas globais, mas também posiciona o campeonato paulista como um produto exportável, com apelo junto à diáspora brasileira e potencial de crescimento internacional.
Derby histórico impulsiona audiência internacional
No último domingo, 8, Corinthians e Palmeiras protagonizaram mais um capítulo de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro, em partida válida pelo Paulistão 2026.
Segundo dados da Kantar Ibope para a Grande São Paulo, o confronto deixou a Record na liderança da TV aberta, alcançando 16,2 pontos e tornando-se o programa mais assistido da televisão brasileira naquele dia, conforme divulgado pelo portal Notícias da TV.
Mas o destaque não ficou restrito ao território nacional. Por meio do projeto Paulistão na Gringa, o Derby foi transmitido em 102 países. Mesmo concorrendo com o Super Bowl — a final da principal liga esportiva dos Estados Unidos — o jogo alcançou números expressivos no exterior.
Entre os principais mercados internacionais de audiência, destacaram-se:
Estados Unidos: 25,5% da audiência internacional
Portugal: 12%
Japão: 7,7%
Paraguai: 6,5%
Argentina: 4,1%
O dado mais simbólico é o desempenho nos Estados Unidos, que lideraram a audiência internacional mesmo no dia do evento esportivo mais importante do país.
Paulistão na Gringa: foco na comunidade brasileira
O projeto Paulistão na Gringa foi estruturado com um objetivo claro: atender os cerca de 5 milhões de brasileiros que vivem fora do Brasil, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores.
De acordo com Bernardo Itri, vice-presidente de comunicação e marketing da FPF, a estratégia inicial é direcionada ao torcedor brasileiro residente no exterior.
“Neste primeiro momento, como o alvo é o torcedor brasileiro que mora no exterior”, explica o executivo.
As transmissões são realizadas gratuitamente no YouTube, com narração e comentários em português. Para proteger os direitos de transmissão no Brasil, é aplicado geoblock no território nacional.
Segundo Itri, a estratégia pode evoluir:
“Mas nada impede que, no futuro, tenhamos transmissões em outros idiomas para atender a um público estrangeiro.”
Essa possibilidade abre caminho para uma expansão real da marca Paulistão, transformando o torneio em um produto com identidade global.
Audiência cresce jogo a jogo
Até o momento, o Paulistão na Gringa já exibiu cinco partidas da competição, e os números vêm mostrando crescimento consistente.
Um dado curioso observado pela FPF envolve os jogos do Santos. A Bolívia aparece como principal mercado nesses confrontos. A explicação provável está na presença do jogador boliviano Miguelito no elenco santista — um exemplo claro de como atletas internacionais ajudam a ampliar o alcance geográfico das competições.
Esse tipo de comportamento reforça uma tendência moderna do esporte: clubes e campeonatos se tornam globais não apenas por tradição, mas também por conexões culturais e identificação com atletas.
Estratégia multiplataforma no Brasil
Enquanto amplia fronteiras internacionais, o Paulistão mantém uma forte presença no mercado brasileiro com um modelo multiplataforma consolidado desde 2022, quando a FPF encerrou seu contrato com a Globo.
Em 2026, a competição conta com:
Record: transmissão na TV aberta
YouTube (CazéTV): cobertura digital gratuita
TNT Sports: transmissão completa na TV por assinatura e streaming
A TNT Sports, inclusive, renovou seu contrato com a FPF até 2029, garantindo estabilidade comercial ao torneio.
Esse modelo híbrido combina televisão tradicional, plataformas digitais e streaming pago — ampliando o alcance e diversificando receitas.
Internacionalização como estratégia de marca
Levar o Paulistão para fora do Brasil vai além da simples transmissão de jogos. Trata-se de uma estratégia de construção de marca.
O futebol paulista reúne quatro dos clubes mais populares do país. Internacionalizar o campeonato significa:
Expandir exposição de patrocinadores
Valorizar direitos de mídia
Aumentar o engajamento digital
Criar novas oportunidades comerciais
Fortalecer a imagem institucional da FPF
A presença em 102 países posiciona o Paulistão como um dos campeonatos estaduais mais internacionalizados do mundo.
Super Bowl vs. Derby: um feito simbólico
O fato de o Derby ter registrado forte audiência nos Estados Unidos no mesmo dia do Super Bowl é altamente simbólico.
O Super Bowl é considerado o evento esportivo mais assistido da TV americana. Ainda assim, o Paulistão conseguiu mobilizar brasileiros e entusiastas do futebol internacional no país.
Esse resultado demonstra:
A força da comunidade brasileira nos EUA
O poder da rivalidade Corinthians x Palmeiras
O potencial do futebol paulista como produto global
O futuro do Paulistão no exterior
Embora o foco atual seja a diáspora brasileira, o caminho natural do projeto é expandir para novos públicos.
Possíveis próximos passos incluem:
Transmissões em inglês e espanhol
Parcerias com plataformas internacionais
Acordos comerciais com marcas globais
Conteúdo digital segmentado por país
Ativações locais com comunidades brasileiras
A internacionalização pode também fortalecer futuras negociações de direitos de transmissão e patrocínios.
Um estadual com ambição global
Tradicionalmente visto como um campeonato regional, o Paulistão mostra que pode ultrapassar fronteiras. A iniciativa da FPF demonstra visão estratégica ao transformar um produto estadual em ativo internacional.
O futebol brasileiro sempre teve alcance global por meio de seus clubes e jogadores. Agora, a estrutura organizacional das federações começa a acompanhar esse movimento.
O sucesso inicial do Paulistão na Gringa indica que há espaço para que competições locais se reinventem e ampliem sua relevância no cenário internacional.
Conclusão
A decisão da FPF de levar o Paulistão para fora do Brasil representa um marco na gestão esportiva estadual. Com recorde de audiência no Derby, presença em 102 países e liderança internacional mesmo em dia de Super Bowl, o projeto Paulistão na Gringa mostra que há demanda global pelo futebol paulista.
Mais do que uma ação pontual, trata-se de uma estratégia estruturada que pode redefinir o posicionamento do campeonato nos próximos anos.
Se mantiver o crescimento e ampliar seu alcance linguístico e comercial, o Paulistão pode consolidar-se não apenas como o principal estadual do país mas como um produto esportivo com identidade verdadeiramente global.





