O salário mínimo no Brasil passa a ser de R$ 1.621 a partir de 1º de janeiro de 2026, conforme decreto publicado pelo governo federal. O reajuste representa um aumento nominal de 6,79% em relação ao valor anterior, de R$ 1.518, e começa a ser efetivamente pago a partir de fevereiro, seguindo o calendário de salários, aposentadorias e benefícios previdenciários.
Embora o novo valor atinja diretamente os trabalhadores que recebem o piso nacional, seus efeitos vão muito além da folha de pagamento. O salário mínimo funciona como um indexador central da economia brasileira, influenciando aposentadorias, pensões, programas sociais, contribuições previdenciárias, crédito consignado e o próprio equilíbrio das contas públicas.
Segundo estimativas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), aproximadamente 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos direta ou indiretamente impactados pelo novo piso em 2026. A seguir, entenda como o reajuste foi calculado e quais são seus principais efeitos práticos.
Como foi calculado o novo salário mínimo
O reajuste do salário mínimo segue a política permanente de valorização, restabelecida pela Lei nº 14.663, de 2023, que retomou um modelo híbrido de correção após anos de congelamento real do piso.
Os dois componentes do cálculo
O valor do salário mínimo é definido com base em dois fatores principais:
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Inflação acumulada, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) em 12 meses até novembro do ano anterior;
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Crescimento real do PIB, referente a dois anos antes, com limite imposto pelo novo arcabouço fiscal.
Para 2026, o INPC acumulado foi de 4,18%, refletindo a variação do custo de vida das famílias de baixa renda. Já o crescimento do PIB em 2024 foi de 3,4%, mas o ganho real incorporado ao salário mínimo ficou limitado a 2,5%, conforme as regras fiscais vigentes.
A soma desses fatores resultou em um aumento nominal de R$ 103, elevando o piso para R$ 1.621.
Valor diário e por hora
Com o novo mínimo, os valores de referência passam a ser:
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Salário diário: R$ 54,04
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Salário por hora: R$ 7,37
Esses números são fundamentais para cálculos trabalhistas, jornadas parciais, horas extras e contratos intermitentes.
Impacto nas aposentadorias e pensões do INSS
O reajuste do salário mínimo afeta diretamente os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem o piso previdenciário.
Quem recebe um salário mínimo
Aposentados e pensionistas que ganham exatamente um salário mínimo terão seus benefícios automaticamente reajustados para R$ 1.621, com pagamento já no fim de janeiro ou início de fevereiro de 2026.
Segundo o Dieese, cerca de 70,8% dos beneficiários do INSS recebem valores vinculados ao salário mínimo, o que explica o forte impacto fiscal do reajuste.
Quem recebe acima do piso
Para quem ganha acima do salário mínimo, o reajuste não segue o novo valor, mas apenas a inflação do período, medida pelo INPC de 2025, a ser divulgado oficialmente no início de janeiro.
Impacto nas contas da Previdência
O aumento do piso previdenciário deve elevar as despesas da Previdência Social em aproximadamente R$ 39,1 bilhões ao longo de 2026, reforçando o peso estrutural do salário mínimo sobre o orçamento público.
Benefício de Prestação Continuada (BPC)
O BPC, pago a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de baixa renda, também é diretamente atrelado ao salário mínimo.
Novo valor do benefício
Com o reajuste, o valor mensal do BPC passa automaticamente para R$ 1.621, sem necessidade de novo requerimento.
Critério de renda
O critério de acesso ao BPC exige renda familiar per capita de até 25% do salário mínimo, o que em 2026 corresponde a R$ 405,25 por pessoa.
Isso significa que o reajuste do piso também altera o limite de renda para concessão do benefício, podendo excluir ou incluir famílias conforme sua composição e rendimentos.
Abono salarial PIS/Pasep em 2026
O abono salarial do PIS/Pasep é outro benefício diretamente impactado pelo novo salário mínimo, pois seu valor máximo equivale a um piso nacional.
Quem tem direito
Têm direito ao abono os trabalhadores que:
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Estiveram empregados formalmente por pelo menos 30 dias no ano-base;
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Receberam até dois salários mínimos de média mensal;
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Estão inscritos no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos.
Valores e calendário
Em 2026, os pagamentos começam em 15 de fevereiro, organizados em sete lotes ao longo do ano.
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Quem trabalhou os 12 meses do ano-base poderá receber R$ 1.621;
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Quem trabalhou menos meses receberá valor proporcional.
A estimativa do governo é que 26,9 milhões de trabalhadores sejam beneficiados, com repasses que somam R$ 33,5 bilhões.
Seguro-desemprego: novo valor mínimo
O salário mínimo também define o valor mínimo das parcelas do seguro-desemprego. Nenhuma parcela pode ser inferior ao piso nacional.
Piso garantido em 2026
Com o novo mínimo, o valor mínimo do seguro-desemprego passa a ser de R$ 1.621.
Valores máximos
Os valores máximos dependem de faixas salariais e de portarias específicas do governo federal. Em 2025, as parcelas variaram entre R$ 1.528 e R$ 2.424,11. Os novos tetos para 2026 ainda serão oficializados.
Cadastro Único e programas sociais
O reajuste do salário mínimo também altera os critérios de renda do Cadastro Único (CadÚnico), base para diversos programas sociais.
Novo limite de renda
Pelas regras atuais, podem se inscrever no CadÚnico famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. Em 2026, esse limite passa a ser de R$ 810,50 por integrante.
Programas impactados
O CadÚnico é porta de entrada para:
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Bolsa Família
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Tarifa Social de Energia Elétrica
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Benefícios habitacionais
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Isenção de taxas em concursos públicos
Apesar da mudança no critério de renda, não há previsão de reajuste nos valores do Bolsa Família em 2026.
Contribuições do MEI e do INSS
O novo salário mínimo também impacta diretamente os microempreendedores individuais (MEIs) e outros contribuintes do INSS.
MEI tradicional
A contribuição mensal do MEI corresponde a 5% do salário mínimo. Em 2026, o valor sobe de R$ 75,90 para R$ 81,05.
MEI caminhoneiro
No caso do MEI caminhoneiro, a contribuição varia conforme o tipo de carga e o destino, mas passa de R$ 182,16 para valores entre R$ 202,42 e R$ 207,42.
Outros benefícios previdenciários, como salário-família e auxílio-reclusão, também terão seus limites reajustados, conforme portarias do INSS.
Crédito consignado: margem maior
O salário mínimo influencia diretamente a margem consignável, que permite comprometer até 35% da renda com empréstimos descontados em folha.
Nova margem
Com o piso de R$ 1.621, a margem consignável sobe para R$ 569,45, ante R$ 531,30 anteriormente.
Isso amplia o acesso ao crédito, mas também levanta alertas sobre endividamento excessivo, especialmente entre aposentados.
Impacto do novo salário mínimo na economia
Segundo o Dieese, o reajuste do salário mínimo deve injetar cerca de R$ 81,7 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026, impulsionando o consumo e a arrecadação.
Quem será impactado
O impacto direto ou indireto atinge:
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29,3 milhões de aposentados e pensionistas
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17,7 milhões de trabalhadores formais
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10,7 milhões de trabalhadores autônomos
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3,9 milhões de empregados domésticos
Desafio fiscal
Por outro lado, o impacto fiscal é significativo. A cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, o custo adicional para os cofres públicos é estimado em R$ 380,5 milhões.
Isso reforça o desafio estrutural do governo: conciliar valorização da renda com controle das despesas obrigatórias, especialmente em um cenário de regras fiscais mais rígidas.
Conclusão
O novo salário mínimo de R$ 1.621 representa mais do que um reajuste monetário. Ele reafirma o papel do piso nacional como instrumento de política social, econômica e fiscal, com efeitos em cadeia sobre milhões de brasileiros.
Enquanto trabalhadores e beneficiários ganham poder de compra, o Estado enfrenta o desafio de sustentar esse aumento em um orçamento pressionado. O equilíbrio entre valorização do trabalho, proteção social e responsabilidade fiscal seguirá no centro do debate econômico brasileiro em 2026.




